A gente até estranha quando alguma voz se levanta para defender o sexo
anal. Mas estas garotas têm bons argumentos a favor da prática. Veja!
“Acho que nasci com talento pra coisa. Foi minha
primeira experiência. Era virgem de tudo e de repente pintou um clima
irresistível. Na época, ainda não se falava em AIDS: o grande medo era
engravidar. Como eu não tomava pílula e meu namorado não tinha
camisinha, fizemos o que, então, era o sexo mais seguro do mundo.
Estávamos tão excitados e sintonizados um com o outro
que não perguntei o que ele pretendia nem ele me perguntou se podia:
simplesmente aconteceu e foi fantástico. Não senti um pingo de dor e os
orgasmos que tive mais tarde, com penetração vaginal, nunca chegaram
perto daquele. Pra mim, relação completa é com sexo anal. Só tem um
porém: preciso estar apaixonada. Senão, nem pensar. É íntimo demais para
fazer por simples empolgação e tesão”.
Marta estava doida para contar essa história. Na única outra vez que
tentou, a amiga que a ouvia interrompeu com cara de “Deus me livre!”.
Marta ficou injuriadíssima. Aos 45 anos, publicitária com alguns prêmios
no currículo, um de seus maiores orgulhos é esse talento especial na
cama. Por isso, animou-se toda para dar depoimento.
Aos 17 anos, Kátia já não era mulher de fazer ou deixar de fazer alguma coisa por medo do
que os outros iriam pensar: “Eu não estava nem aí para hímen e fiz
questão de perder a virgindade normal. Mas na mesma semana estreamos o
outro lado. Apesar da nossa inexperiência, com ele foi melhor do que
com todos os parceiros que tive depois. Porque, como nós dois éramos
virgens, não usávamos camisinha; então, dava para sentir o calor do
esperma jorrando. Fico toda, todinha arrepiada só de lembrar…”.
Por outro lado, a maioria admitiu que o grande barato do sexo anal é
a sensação de estar fazendo uma coisa que tanta gente acha errada,
feia, suja. No fundo, a gente curte demais a ideia de ser um tanto
depravada. Olhando para Maria Carolina, toda séria em seu
comportadíssimo terninho de secretária executiva, ninguém diz que está
sempre pronta para o que der e vier. “Olha, não sou nenhuma deusa, mas
tenho um traseiro que deixa os homens loucos. Seria uma anta se não
tirasse partido disso. Desde adolescente, percebi que essa era a
vantagem que eu levava sobre a concorrência.
Quando ia à praia, com o
biquíni bem enfiado atrás, os caras não me davam sossego um minuto.
Adoro ser desejada. Por isso, aprendi a fazer na cama o que as outras
têm vergonha ou medo de fazer. Aprendi mesmo: li tudo a respeito,
pratiquei sozinha, usando primeiro os dedos, depois pênis artificiais
cada vez maiores. Tenho uma amiga que fica horrorizada quando conto
minhas noitadas, mas bem que gosta de ouvir, a hipócrita. Sei que ela
acha que é coisa de vagabunda, mas também sei que daria a vida para ter
coragem de fazer igual.
Para a maioria, ficar de quatro é humilhante, é a
entrega total, coisa que não se deve permitir a qualquer um. Mas quem
disse que tem de ficar de quatro? Já experimentei essa posição, mas a
minha preferida é ele deitado de costas e eu por cima, dominadora,
assumindo o controle. Às vezes, até amarro os braços dele na cabeceira
da cama. Pode ser mais poderoso? Tudo é uma questão de ponto de vista”.
E vem cá, e a história da dor? Isso não é conversa
fiada: muita mulher tenta com a maior das boas vontades e não há jeito.
Uma amiga confessou que ela e o marido usam toneladas de vaselina,
compraram carregamentos de lubrificantes anais dos mais variados sabores
e consistências nas sex shops, ela até se previne passando uma pomada à
base de xilocaína, e mesmo assim a dor não permite que o pênis entre
mais do que 1 ou 2 centímetros. Para esse caso, Maria Carolina só vê uma
explicação: incompetência do homem. Ou da mulher. Ou dos dois. Porque
parte de um princípio que é de uma lógica cristalina: um lugar sensível à
dor também é sensível ao prazer.
“Não tenha dúvida de que, mesmo quando você está muito a fim, na
primeira vez pode doer um pouco. É por isso – e só por isso – que acho
que a gente deve se iniciar com um namorado apaixonado. Ele vai ser
carinhoso, se preocupar com as preliminares, usar a boca e a língua pra
te excitar e te deixar mais confiante. Mesmo assim, podem ocorrer alguns
problemas. Eu, por exemplo, gozava depressa demais, e aí fica difícil
continuar porque incomoda. Precisava me masturbar para ficar perto do
orgasmo novamente e dar tempo ao meu parceiro para também chegar lá”,
diz Fernanda de 28 anos. Já com um namorado de quem gostava muito,
acontecia o contrário: ele gozava rápido e eu ficava na mão.
Coitado,
morria de culpa: dizia que era difícil se segurar porque o ânus é bem
mais apertado do que a vagina. “Com o tempo e a experiência, arranja-se
jeito pra tudo”.
A necessidade também deixa você espertíssima. Quando teve um caso com
um sujeito pra lá de bem-dotado, Fernanda avaliou as possibilidades e
percebeu que, sem ajuda, seria impossível. O que resolveu o problema foi
um anal enlarger (alargador de ânus), uma espécie de tubo que você
introduz e vai alargando a circunferência com uma bomba de pressão
“Melhor ainda é usar os movidos a bateria, que vibram, uma glória”.
Quando achou que o precioso instrumento tinha reproduzido a contento as
dimensões do rapaz sem causar nenhum dano à sua integridade física, ela
propôs “uma gostosinha por trás, só para variar”. Ele ficou em êxtase e
Fernanda tem certeza absoluta de que até hoje, passados três anos do fim
do namoro, o ex ainda a considera a mulher mais completa que conheceu.
Meninas é fato: a maioria dos homens, não sem razão,
acha que vai precisar passar uma cantada daquelas para conseguir uma
coisa que nem será tão satisfatória assim. Quando não precisam, é a
glória, embora ao mesmo tempo se preocupem: “com essa aí não posso
vacilar”. Para Ana Flávia, sexo anal é tão especial que não faz sempre.
Sua posição preferida é a que ela e o marido chamam de coqueirinho:
ele deitado e ela por cima. “Também acho excitante sentar no colo dele
de costas. Dos dois jeitos a penetração é bem profunda. Curto muito
deitar de bruços com um ou dois travesseiros ajudando a levantar o
bumbum: fico com as mãos livres para usar um vibrador no clitóris. Outra
deliciosa, mas que tem um nome horroroso é a posição “frango assado”:
um de frente para o outro, com as minhas pernas apoiadas nos ombros
dele. Para quem está iniciando, acho ideal porque a penetração não é tão
profunda. Só tem um problema: se o homem não for pelo menos
razoavelmente bem-dotado, a coisa complica, não funciona. Agora, se
estou a fim de muito carinho, nada como a “colherzinha”, os dois
deitados de lado, bem agarradinhos, porque ele pode ao mesmo tempo me
masturbar e acariciar os seios”.
É, mas muita mulher por aí tem engulhos só de pensar no anal por
causa do lado sujo da coisa – e não estou me referindo ao aspecto moral.
Nenhuma das minhas entrevistadas considerou tal argumento minimamente
inteligente. Isso é a maior besteira, foi logo se irritando a fogosa
Maria Carolina. “Pra começo de conversa, se você sabe que vai fazer,
toma suas precauções. Se não tomar, é sinal de que se trata de uma
criatura suja em qualquer outra coisa e ponto final. Manter a entrada do
reto limpa é mais do que suficiente, até porque tem homem que acha
incômodo encontrar algum obstáculo pelo meio do caminho.
Eu, por
exemplo, sempre coloco antes um supositório de glicerina. E vou te
contar um segredo: não é só por limpeza, não. Acontece que deixa o
chamado canal do prazer muito mais sensível. Faz você subir pelas
paredes. Quem ainda não experimentou não sabe o que está perdendo”.
Reportagem: Neusa Falcão



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